Contrastes paulistanos

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Para que chegássemos à região da Aclimação, nosso destino do dia, decidimos experimentar as entranhas do bairro da Liberdade em direção à baixada do Glicécio, partindo mais uma vez do marco zero de São Paulo (Praça da Sé).

Iniciamos então pela Conselheiro Furtado até o Viaduto do Glicério. Dali, seguimos em direção à igreja Nossa Senhora da Paz, no Glicério. Esta igreja é conhecida atualmente por abrigar refugiados haitianos que chegam em São Paulo. Tivemos em contato com alguns deles que, sempre bem vestidos, pareciam maravilhados com a cidade. Assim como no último desbravamento (que falamos um pouco sobre a imigração boliviana em São Paulo), neste também pudemos perceber que, aos olhos de um imigrante refugiado que busca condições mínimas de sobrevivência com dignidade, o Brasil é um paraíso.

A região onde a igreja Nossa Senhora da Paz está instalada é também conhecida como Baixada do Glicério. É uma região de planície do rio Tamanduateí e, por isso, leva consigo o nome de Baixada. É uma das regiões mais degradadas da cidade de São Paulo por não possuir infraestrutura similar a outros bairros da região. É também área de intensa aglomeração de usuários de crack no trecho da rua São Paulo. Apesar de tais condições promoverem o isolamento desta região, passamos por lá como se estivéssemos em uma outra rua qualquer da região central. Talvez, se houvesse uma integração maior com a cidade através de uma maior “empatia” e tratamento igualitário por parte do poder público (e também da população de outros bairros), a região do Glicério e seus moradores seriam menos degenerados. O Glicério está no coração de São Paulo e merece tratamento igual a qualquer outra região.

 

Agora, nosso próximo objetivo era subir até a Aclimação. Durante o percurso, fomos percebendo que, gradativamente, as paisagens urbanas foram se modificando. É impressionante a transformação da cidade em poucos metros percorridos: O que era sujo passou a ser limpo, o que era barracos passou a ser condomínios de classe média, o que era farrapos passou a ser roupas limpas e assim por diante.

No Km 2, encontramos um dos maiores contrastes paulistanos presenciados durante o percurso. O edificio 9 de Julho (Conde de Sarzedas), importante centro comercial da região, com sua superfície curva e toda espelhada, circunda um antigo palacete tombado como patrimônio histórico.

Enfim, o oasis verde da Aclimação foi alcançado. O parque da Aclimação foi fundado no início do século XX, a princípio, com fim de servir como área de exposição pecuária. Quase foi extinto na década de 80 graças a especulação imobiliária na região, época a qual, teve seu tombamento como parque. É composto por uma pista de cooper de aproximadamente 960 metros, um grande lago em seu centro e flora e fauna abundantes (saiba mais sobre o parque da Aclimação).

Poderíamos ter finalizado o percurso por ali mas decidimos nos perder pelas ruas do bairro. Foi uma ótima decisão. O Bairro da Aclimação possui um relevo bastante acidentado, possibilitando grandes surpresas a cada esquina que passávamos. Pouco depois do cruzamento da Rua Pedra Azul com a Rua Machado de Assis, encontramos uma viela que a liga até a Rua Guimarães Passos. É praticamente uma praça linear que cruza 3 ou mais quarteirões. Apesar de não receber os devidos cuidados (como limpeza e capinagem) e, aparentemente não possuir iluminação, é um local interessante. Logo depois, nos deparamos com o que consideraríamos um dos maiores desafios do percurso: O escadão da Aclimação.

No alto do escadão, sentíamos que ainda havia forças para continuarmos explorando o bairro. Por isso, decidimos continuar o percurso até que alcançássemos a região da Av. Paulista. Mais uma acertada escolha. Subindo a rua Gaspar Lourenço, nos deparamos com um local inusitado: O Museu da Matemática (Prandiano). Além das exposições e pesquisas, por lá também é oferecido uma diversidade de cursos relacionados à matemática (mais sobre o museu Prandiano, clique aqui).

 

Seguimos até a rua Vergueiro, na região do Paraíso, onde finalizamos o desbravamento do dia.

 

Impressões sobre o percurso
São Paulo é uma cidade múltipla, miscigenada, que abriga os extremos no mesmo quilômetro quadrado, apesar das aparentes restrições observadas. Ainda que tais fronteiras possam ser notadas, não há nada que impeça todos os seus habitantes de se deslocar e conviver harmonicamente em qualquer lugar e com qualquer pessoa. Quanto à corrida, vale muito percorrer esta região que abrange o Centro, Liberdade e Aclimação. Há subidas mas com baixas inclinações.

 

Desbravadores de Sampa: Corrida com conteúdo.

 

Dados do desbravamento
Distância: 8km
Desbravadores: Hugo Peroni e Luiz Roberto
Tempo percorrido: 1h18’16”

Mapa do percurso:

 

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