Da Sé à Bolívia em 6km

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capO objetivo do dia foi conhecer o parque Belém, na Zona Leste de São Paulo, partindo da praça da Sé. Não sabíamos exatamente o que encontraríamos ao atingir o objetivo e nem precisamente o percurso que faríamos. Tudo foi definido diretamente na rua. Como nos últimos domingos, o marco zero da cidade de São Paulo foi nosso ponto de encontro, o local de partida para o desbravamento.

Se você não conhece a praça da Sé, precisa passar por lá de manhãzinha. A Sé, com os primeiros raios de sol da manhã, proporciona um visual inigualável, graças à projeção quase horizontal da sombra da igreja nos prédios de seus arredores.

Iniciamos o percurso pela Rua Tabatinguera para que encontrássemos uma forma de atravessar a Avenida do Estado. Não foi uma tarefa muito fácil. Ali, os viadutos são completamente abandonados no quesito “acesso a pedestres”. Existem calçadas mas são verdadeiros lixões e latrinas com odor insuportável. Isso evidencia unicamente o abandono das vias para pedestres pelos viadutos do Complexo Viário Evaristo Comolatti e o consequente esvaziamento de pessoas que poderiam utilizar aquela estrutura a pé. Este complexo viário liga a região central ao Brás e serve para atravessar a Avenida do Estado e um dos rios mais significativos da cidade, o morto Tamanduateí (clique para saber mais sobre a história deste rio).

Porém, pouco depois, passamos pela calçada da rua da Figueira, logo após cruzar com a estação de metrô Pedro II, um exemplo de excelente estrutura para utilização de pedestres. A calçada do cruzamento entre a Figueira e Av. Rangel Pestana é  limpa, sem buracos e ainda possui área permeável, permitindo assim absorção de água para o subsolo. Certamente, um dos melhores exemplos de estrutura para pedestres em São Paulo.

Seguimos então pela Av. Rangel Pestana e Celso Garcia. Rangel Pestana, que dá nome a esta que é uma das mais importantes avenidas da Zona Leste de São Paulo, foi jornalista e político, eleito a senador em 1890. Já Celso Garcia, foi advogado e vereador. Em comum, ambos, Rangel e Celso, se formaram na faculdade de direito da USP. Ou seja, advogados e políticos também estavam entre as maiores referências na cidade de São Paulo em seus anos dourados e, a eles, homenagens com nomes de ruas e avenidas era algo comum.

Essas importantes avenidas da Zona Leste são as portas de entrada para maior região comercial da cidade de São Paulo, o Brás. Seu nome é o mesmo do antigo proprietário de terras da região chamado José Brás.

Brás

Também conhecido por abrigar inúmeras lojas de confecções com fábricas próprias, o Brás possui a segunda maior comunidade boliviana fora da Bolívia, perdendo apenas para Buenos Aires. Estima-se que 60 mil bolivianos vivam na cidade de São Paulo, a grande maioria no Brás e, muitos deles, em situação irregular. Sua comunidade concentra-se na região do Brás justamente por ser o local onde a maioria deles é empregada: As confecções. O problema é que, assim como a situação de muitos deles no país, nos ambientes de trabalho, em algumas das empresas da região, também é irregular. Há bolivianos que atuam profissionalmente em situação de semi-escravidão ou de escravidão, por não possuírem direitos trabalhistas, salários dígnos e até mantidos em cárcere privado (confira uma matéria sobre trabalho escravo no Brás). Os bolivianos procuram em São Paulo melhores condições de vida das que eles tinham em seu país, ainda que demorem para encontrar por aqui a dignidade tão sonhada.

Continuamos nosso percurso pela avenida Celso Garcia até que chegássemos no parque estadual do Belém, mais um belíssimo oásis em meio ao oceano de concreto paulistano. Apesar de não possuir lagos e córregos, o ambiente é de fuga do stress paulistano. Tem uma aparência jovem pela baixa estatura das árvores, mas, ainda assim, é um local bastante frequentado por moradores da região, principalmente bolivianos. Em todas as suas quadras esportivas, centenas de bolivianos se divertiam com futebol, piquenique e brincadeiras, num momento de absoluta descontração e descanso como o que todo domingo oferece e exige.

Terminamos por ali nosso percurso com a sensação de dever cumprido já que estávamos num ambiente inspirador.

Desbravadores de Sampa: Corrida com conteúdo.

Dados do desbravamento
Distância: 6km
Desbravadores: Luiz Roberto e Hugo Peroni
Tempo percorrido: 0h55’58”
Mais detalhes, clique aqui.

Mapa do percurso:

 

 

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