Correndo livremente em São Paulo

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destAntes de iniciar o relato do percurso do dia, gostaria de fazer algumas perguntas ao cidadão paulistano que está sempre atrasado com seus afazeres e precisa percorrer os trajetos do dia-a-dia da forma mais rápida e objetiva que existe: Você teria tempo disponível para percorrer e observar a cidade de São Paulo sem que um rumo fosse definido, simplesmente pelo prazer de pertencer a ela, ou o contrário, de saber que ela o pertence? Por conta disso, aproveitaria para absorver seus ensinamentos explorando todos os seus detalhes? Ou então, aproveitaria o seu percurso do dia-a-dia para conhecer um pouco mais da história da cidade?


Obviamente, como já constatado, muita gente não teria tempo para isso pois o gastam nos trajetos para a realização das tarefas corriqueiras do dia-a-dia sem que quaisquer detalhes da cidade pudessem sequer ser notados, tornando-os meras banalidades. Com isso, a cidade, com o passar do tempo, ganhou o estereótipo de “objeto de passagem“, ou seja, nada é feito para ser observado e sim que tudo fique para trás na maior velocidade que puder proporcionada por suas vias rápidas, seus veículos de motores potentes ou seus trens subterrâneos que escondem sua história mas oferecem velocidade no deslocamento. A própria arquitetura dos anos 80 em diante perdeu, em parte, sua característica artística já que não se dispunha de tempo para a contemplação de sua beleza, garantindo a ela assim menor custo x benefício, velocidade nas construções e prédios quadrados. Pois o que humaniza a cidade é cada um dos detalhes que a compõe, mesmo que ela própria não faça a menor questão de apresentá-los a nós.

Depois desta breve introdução a um dos aspectos sociais que incomoda enche os “Desbravadores de Sampa“ de idéias para que a cidade se torne mais humanizada, mergulhemos agora, portanto, no assunto do percurso do dia: Percorrer a cidade sem planejar, sem um destino final, sem uma distância prévia. O GPS serviu apenas para nos mostrar o que havíamos percorrido no final do desbravamento. A nossa meta era apenas correr livremente, discutir ideias e observar a cidade.

Decidimos iniciar pela Avenida Bandeirantes a partir da Avenida Jabaquara em direção à marginal Pinheiros. Sabíamos que a Bandeirantes, uma das mais importantes vias da cidade de São Paulo, não ofereceria as melhores condições para a prática esportiva. A avenida interliga a marginal Pinheiros às rodovias de acesso à Baixada Santista e por esse motivo é sempre carregada. Há pouco tempo, após a finalização do trecho do Rodoanel que acessa as rodovias Imigrantes e Anchieta, a avenida Bandeirantes teve proibição do tráfego de caminhões durante o horário comercial. Não por isso deixou de ser estereotipada como avenida suja e perigosa já que a quantidade de veículos que a utilizam diariamente aumenta em progressão geométrica. Como iniciamos nosso percurso bem cedo, a concentração de veículos nesta avenida ainda não era dos maiores e, então, pudemos correr tranquilamente sem que nossos pulmões fossem prejudicados de alguma forma.

 

Mas o que mais nos surpreendeu foi que a larga Avenida Bandeirantes, apesar de tudo o que foi exposto, é composta por parques e praças em suas marginais e conta também com um canteiro central muito bem cuidado. Quebrei, ao percorrê-la, todo o preconceito que eu tinha em relação a essa avenida que me fazia estereotipá-la a “mais uma avenida inóspita da cidade“. Apesar da enorme quantidade de veículos que a utilizam, a avenida é um grande cinturão verde na cidade de São Paulo. No trecho entre as avenidas Jabaquara e Abraão de Moraes (que infelizmente não percorremos), há um grande parque a margeando, por todos os lados, nas vias colaterais e nos canteiros centrais.

 

Depois de 6,5km pela Bandeirantes, entramos na Marginal Pinheiros no sentido Brooklin. Como nos últimos desbravamentos, o Jeff Thosi me acompanhou e, como em todos, a conversa fluía de tal forma que nem percebemos que já estávamos na marginal e muito menos que tínhamos tomado tal direção. Seguimos em frente até chegarmos à Avenida Roberto Marinho e à ponte Estaiada. Decidimos então acessá-la e retornar pela Berrini.

 

Depois de 13km rodados, chegávamos no parque do povo, por onde cruzamos e decidimos seguir pela Faria Lima. Decidimos então adentrar à Zona Oeste através da Pedroso de Moraes, avenida que sucede a Faria Lima.

 

Tendo rodado 17km, decidimos explorar o bairro Alto de Pinheiros. E bota alto nisso. Não sabíamos precisamente onde iríamos chegar, mas decidimos adentrar o bairro para conhecer suas nuances.

 

A conclusão que chegamos sobre esta região é que, apesar de suas intermináveis subidas, o ambiente é propício para a prática de esportes e absolutamente tranquilo por ser aparentemente exclusivamente residencial.

 

As subidas na prática esportiva, como as de pinheiros, apesar de causarem um certo sofrimento, são grandes companheiras quando o assunto é treinamento. Quem treina utilizando subidas como meio, normalmente tem maior facilidade em outros planos. Apesar de proporcionarem o fortalecimento muscular e a resistência aeróbia, são os que mais provocam lesões, como explica este artigo. Portanto, a dica que damos é abusar das subidas mas com uma certa moderação ao mesclar com outros planos para poupar a musculatura.

 

Enfim, depois de alcançarmos a avenida Heitor Penteado, nos dirigimos até a estação de metrô Sumaré onde completaríamos 21km, distância chave no mundo das corridas que, por ironia do destino, sem que houvéssemos calculado, nos contemplou com sua magnitude.

 

 

Conclusões:
Pontos positivos: Quando se sai para explorar a cidade sem planejamento é o mesmo que explorar uma nova obra de arte onde pequenos detalhes são descobertos, como as belas praças que margeiam a Av. Bandeirantes, como as ruas verdes que dão acesso ao Alto de Pinheiros, como a garapa misturada a vários sabores da barraca de feira-livre do viaduto sobre a Av. Sumaré.

 

Pontos negativos: Desta vez não tivemos muito do que reclamar. Havia a expectativa de péssimas condições nas avenidas Bandeirantes e Marginal Pinheiros. Mas tal expectativa foi quase que totalmente quebrada. Não fossem as ondulações nas faixas de pedestres na Av. Bandeirantes, provocadas pelo peso dos veículos que a utilizam. Um verdadeiro risco a quem necessita atravessar pela faixa de pedestres com pressa. Outro detalhe é que no entroncamento entre a Berrini e a Avenida Bandeirantes há áreas de calçada em obras, obrigando os pedestres a caminhar pela avenida sem que houvesse ali qualquer sinalização.

 

Dados
Distância: 21,3km
Desbravadores: Hugo Peroni e Jefferson Thosi
Tempo percorrido: 2h12’31”
Ritmo: 6:05 min/km
Mais detalhes, clique aqui.

 

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