Em direção à letra N da bússola

Padrão
Viaduto Santa Ifigênia (km 9,5)

Viaduto Santa Ifigênia (km 9,5)

Era um domingo, 6 de abril, dia de mais um desbravamento de Sampa. Um dia antes, havia encontrado o grande amigo Jefferson Thosi, quando papeamos de tudo: de business a religião.  Decidimos que deveríamos continuar a conversa no dia seguinte e, então, teríamos que escolher entre duas possibilidades: Boteco ou pé na rua. Sem muito o que pensar, no dia seguinte às 7h, decidimos o rumo: Vamos até à zona norte de São Paulo. Perfeito. Como estávamos no bairro da Saúde, a única certeza que tínhamos era que precisaríamos passar pelo centro da cidade. E lá fomos nós.

 

Iniciamos o desbravamento pela avenida Jabaquara em direção à Paulista. O trânsito estava tranquilo. Tínhamos 3 opções: As calçadas, a rua ou a ciclofaixa de lazer. Ambas vazias. O espírito desbravador falou mais alto. Iríamos pela rua enquanto nenhum carro exigisse a prioridade. Tudo corria tranquilamente até que, logo à frente, do outro lado da rua já na Domingos de Moraes, nos deparamos com um acidente de trânsito. Havia um carro batido no semáforo da faixa de pedestres sobre a calçada. Será que para evitar um estrago maior em seu carro o motorista não teria desviado e jogado o carro para a calçada? Esperamos que não tenha sido isso. O fato é que pedestres poderiam estar esperando para atravessar a avenida e, evitar uns arranhões na lata do carro, poderia transformar esta atitude numa grande tragédia.

Dali em diante, tranquilidade total. Na Vila Mariana, a avenida Domingos de Moraes torna-se bastante larga e, em seus arborizados canteiros centrais, existem calçadas em bom estado que podem ser utilizadas para a prática de exercícios físicos.

Como é delicioso a sensação de se viver em uma cidade tranquila. Entre às 6 e 9 da manhã de todos os domingos, é a impressão que se tem de São Paulo. Ok, alguém pode dizer que não é fácil acordar em pleno domingo neste horário. Mas é uma opção entre aproveitar a calmaria ou ficar reclamando dos transtornos da cidade.

Continuamos o percurso que, aliás, foi totalmente preenchido por ideias. O Jefferson, além de um grande esportista esforçado, é aberto a conversar sobre qualquer assunto e tem grandes idéias. Conversamos praticamente o percurso todo e, posso dizer que aprendi bastante com isso. Por isso, quando paramos para ver, mal havíamos iniciado a corrida e já estávamos chegando na Rua 13 de Maio. Decidimos entrar por ali e passar pelo Bixiga, até chegarmos ao centro. Na região da rua Manoel Dutra, percebemos que, apesar de estarmos já respirando os ares da região central da maior metrópole brasileira, havia por ali uma quantidade insuperável de pessoas abandonadas à própria sorte. Poderíamos atribuir esta desumanidade a uma infinidade de possibilidades, mas não era o nosso propósito. Ao menos neste desbravamento.

Chegamos então na Av São Luis e já nos locomovíamos em direção à alguma avenida que nos levássemos à zona norte. Decidimos seguir em direção ao belíssimo vale do Anhangabaú por onde percorreríamos toda a sua extensão de sul a norte, passando sob o Viaduto do Chá, Avenida São João e Viaduto Santa Ifigênia.

 

Mais à frente, saímos da Prestes Maia e entramos na Senador Queirós para acessarmos a Avenida do Estado. Poderíamos ter seguido pelo corredor Norte/Sul, mas o espírito desbravador falou mais alto novamente e, ao invés de pegar a ponte das Bandeiras, seguimos pela Cruzeiro do Sul. No entanto, antes de chegar nela, passamos pela 25 de Março, Mercadão, e Avenida do Estado.

Já na Avenida do Estado, no cruzamento com a ferrovia da CPTM (Brás / Luz), algo absolutamente estranho nos chamou a atenção. A avenida descia para passar sob a ferrovia. As calçadas não. Elas continuavam planas e finalizavam a 30 cm da ponte. No momento, disse ao Jefferson:  “- Cara, isso é verdade? O que fazer?”. Sem pestanejar ele respondeu”- sigamos em frente”. A alternativa era seguir por um filete de calçada de uns 50 cm de largura que acompanhava a avenida. Ou então, poderíamos ir pela calçada e cruzar a ferrovia rastejando. Confira o tremido vídeo abaixo.

Pouco à frente, após o cruzamento com a ferrovia e ultrapassar os 50 cm de filete de calçada, o inacreditável aconteceria novamente: A calçada terminava completamente. À esquerda, via-se que ela fora PRIVATIZADA e fazia parte de um terreno, num plano bem inferior a ela, talvez uns 2 metros de altura, onde servia de quintal para residências. A calçada era separada da avenida por uma mureta.

Poucos metros à frente, chegaríamos à ponte Cruzeiro do Sul sobre o Rio Tietê. Acabávamos, neste momento, nosso desbravamento. Tínhamos como meta chegar na zona norte de São Paulo. Foi quando o Jefferson me perguntou “- Foi fácil, hein. Ainda tem bateria?” Decidimos então continuar.

Para quem gosta de aproveitar a cidade para praticar atividades esportivas, a região da zona norte entre o metrô Tietê e Parada Inglesa é essencial. Além do belíssimo parque da Juventude onde antes acomodou o presídio do Carandiru, as largas avenidas desta região são feitas sob medida para a prática de lazer e esportes. Tanto que, de fato, como em poucos lugares da cidade, a região é muito bem aproveitada para esses fins.

Foi uma grande escolha termos continuado. Não esperávamos o que haveria alguns metros à frente do terminal Tietê. Ali naquela região, o metrô é elevado. E em todos os seus pilares acinzentados encontram-se grandes e coloridas obras de arte urbanas, que, de certo, ameniza bastante o stress que assola o paulistano no dia-a-dia. Trata-se do MAAU (Museu de arte aberta urbana) que reúne o trabalho de grandes grafiteiros da cidade. Dentre um painel e outro, reconheci pelo traço artístico uma obra do amigo Biofa. Realmente, um acervo muiti-temático e multi-técnico. Vale multi a pena conferir 🙂

Seguimos a correria então pela Cruzeiro do Sul até à Ataliba Leonel até atingirmos a Avenida Nova (Luiz Dumont Villares). Quase parei na casa do Deik (meu mano) para tomar uma água, mas lembrei que ele estava em uma outra corrida! Seguimos então pela Av. Nova até chegarmos na Parada Inglesa.

Chegando na Parada Inglesa, perguntei ao Jefferson: “- E aí, subimos para o Tucuruvi ou já está de bom tamanho?” Para um desbravador, nunca ofereça uma alternativa dolorosa. Entre ela e uma light, ele vai escolher a dolorosa. Foi então que subimos os quase 1 km da avenida até chegarmos no pico, na avenida Tucuruvi. Poderíamos fincar ali a bandeira de mais um percurso desbravado.

Depois de 19km percorridos, enfim, chegávamos na última possibilidade de se utilizar o metrô. O Shopping Tucuruvi anunciava a direção de nossos últimos passos. Sabemos que a Zona Norte é infinitamente maior do que isso e ainda precisaremos voltar muitas outras vezes para conhecê-la melhor.

 

 

Conclusões:
Pontos positivos: Todo o trajeto percorrido, com exceção ao km 18, é praticamente plano. Passamos por lugares turísticos que merecem ser ocupados, como o Vale do Anhangabaú, o Museu Aberto de Arte Urbana e o parque da Juventude. Além disso, boa parte do percurso é bastante arborizada, especialmente na Avenida Domingos de Moraes e Cruzeiro do Sul (logo após à intersecção com a Av. do Estado).

Pontos negativos: A falta de mínima consideração do poder público com pedestres em determinados lugares é bem evidente. Há lugares em que a calçada foi privatizada e está há 2m pelo menos abaixo do nível da rua. Há outros em que estão em péssimas condições, enquanto o asfalto está praticamente novo (como em partes da Av. do Estado). Mas o pior é, sem dúvida, a falta de nivelação da calçada à av. do Estado no cruzamento com a ferrovia da CPTM. É ridiculamente vergonhoso. Evidentemente, São Paulo foi planejada para o deslocamento exclusivo de carros. Mas com a atual falta de espaço para novos veículos, ficamos na esperança de que novos espaços para o transporte alternativo sejam criados. Um pouco antes disso, que as calçadas sejam melhoradas. Ficaremos de olho.

 

Dados
Distância: 19.15km
Desbravadores: Hugo Peroni e Jefferson Thosi
Tempo percorrido: 1h49’41”
Ritmo: 5:43 min/km
Mais detalhes, clique aqui.

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s